terça-feira, 20 de setembro de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

estudohamlet.com

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Avaliação crítica sobre a peça Santa Joana dos Matadouros - dramaturgo Jair Alves

Crítica publicada no Portal Macunaíma (link: http://portalmacunaima.ning.com/group/crticasteatrais/forum/topics/santa-joana-dos-matadouros)


"Surpreendente a montagem de Santa Joana dos Matadouros, ainda em cartaz no Teatro Denoy de Oliveira, em São Paulo. O texto, inédito, de Bertold Brecht (enquanto vivo), com toda a certeza tem sido uma de suas obras mais estudadas e comentadas do teatro universal. Mesmo assim, o conjunto de ingredientes desta peça não nos parece ser o mais extraordinário na produção e, sim, a reunião de um elenco de jovens atores e excelentes músicos, mesclados a veteranos profissionais do palco, parceiros inseparáveis do legendário José Renato, diretor do espetáculo; nem é preciso ressaltar que se trata de um dos inventores do moderno teatro brasileiro.

Santa Joana dos Matadouros traz a tona várias contradições, uma delas a que derruba o mito do trabalho continuado. É indispensável discutir, entender e dar um passo à frente, depois dessa versão de Santa Joana, porque é um maravilhoso resultado, não por ser ele um trabalho com o mesmo grupo, mas sim porque José Renato, toda a equipe da UMES, incluindo o seu tradutor, Valério Bemfica e, acima de tudo, a qualidade dos atores são os responsáveis por este bom resultado.

Começa com a formação dessa trupe. Qual é a atividade humana que consegue reunir tão harmoniosamente, num mesmo ambiente de trabalho, um diretor com mais de oitenta anos e uma atriz, protagonista, que mal completou trinta anos, apresentando promissora carreira artística, e encenada num teatro que leva o nome de um cineasta, ator e militante da cultura, Denoy de Oliveira? Há poucas décadas Denoy, quando a maioria desses jovens atores nem era nascida, vivia dando “nó me pingo d'água, ou ensacando fumaça” como se diz por aí, e também “dando murro em ponta de faca”, para sobreviver carregando em suas costas a tarefa de salvar o mundo. Ele enfrentava justamente um amontoado de “revolucionários de butique”, uma legião de contestadores que o considerava um reformista. Esta rapaziada, hoje no palco dá o troco nesses falastrões. Parte desse elenco ainda mamava, quando Denoy de Oliveira era bombardeado pelo pessoal do “mais a esquerda”. Pena que este velho cineasta já não esteja mais entre nós, e nem possa dividir com os remanescentes do CPC a mesma alegria em que vivemos neste final de 2010. Com absoluta certeza o teatrinho da Rui Barbosa, espremido entre bares e casas comerciais, traz a melhor produção e nesse final de década. Pena que o mulato, com a sua tradicional camisa vermelha não estivesse presente.

No elenco, muitas surpresas a começar pela protagonista Joana Dark, interpretada pela atriz Érika Coracini. Há que ser citado, também, o antagonista Jack Pierpoint, interpretado pelo ator Alexandre Krug, candidato natural à personagem de filmes do expressionismo alemão. Mas não é apenas isso, José Renato conseguiu produzir neste espetáculo, passagens memoráveis. Numa delas a cena de Érika Coracini e Reginaldo Faidi, com não mais de um minuto, onde criam momentos de estrema beleza, - uma cena que pode entrar para a lista das melhores do teatro brasileiro de todos os tempos. Trata-se do diálogo entre um operário querendo convencer Joana a aceitar a função de operador de máquina, e ela fingindo interesse, sob os olhos do larápio Tommaso. Este é o mais perfeito exemplo de teatro distanciado, e de requintado cinismo em cena. Brecht adoraria ver o que nós temos como privilégio, o de assistir a esta peça por muitas vezes. Este conjunto de fatores cênicos, próximo do metafísico, chega a sugerir que o olhar sagaz de Bruno Campelo (Tommaso) seja os olhos de todos nós, os expectadores. Um retrato de onde pode chegar a safadeza do homem contemporâneo.

Nesses últimos 30 meses, acompanhamos direções daquele que é, também, o criador do Teatro Arena conjunto delas reflete as contradições do teatro brasileiro, nos últimos tempos, a começar pelo calvário enfrentado no seu modo de produção, vivido atualmente pela maioria dos artistas brasileiros. É com muita dificuldade que José Renato e alguns de seus fiéis escudeiros administram o Teatro dos Arcos, também em São Paulo, aonde desenvolvem um trabalho regular. Para quem dirigiu atores como Raul Cortez, Gianfrancesco Guarnieri, Lélia Abramo, Eva Wilma, merece uma melhor sorte do que a via-sacra pela qual tem passado. Para sobreviver, ele e seus diretos colaboradores investem em outros trabalhos a exemplo desse que assistimos neste final de semana último. Ao menos neste caso o esforço foi coroado com extraordinário resultado e, quem sabe, tenha encontrado o núcleo ideal para realizar outros trabalhos também indispensáveis no cenário brasileiro. Assistir ao espetáculo Santa Joana dos Matadouros foi uma das atividades mais prazerosas que tivemos nos últimos anos. Com isso exaltamos, sem medo de errar, que apesar de tudo o Teatro Brasileiro existe, sim, e com muita força. Ele não morreu, mesmo com a realidade que o cerca. O que pode ser visto, no tradicional bairro do Bexiga, é muito mais que uma peça; uma celebração cênica. Muito bom ver no palco, um elenco com mais de uma dezena de atores, representando e cantando, recuperando assim uma de nossas mais fortes expressões que é o teatro musicado.

Esta montagem em sua pequena trajetória, desde a sua estréia em plena campanha eleitoral e a indispensável difusão entre os estudantes do segundo grau organizados pelo UMES, faz um trabalho que imaginamos insano. Vimos, também, outras manifestações de elogios, a maioria direcionada a transpor o conteúdo histórico tratado na peça, crise de 29, para a nossa realidade imediata. Este fenômeno teatral estritamente ligado à poética, sequer foi apontado, sendo este, sem nenhuma dúvida o maior trunfo dessa produção. O extenso material em texto que acompanha a divulgação, não necessita de uma maior ênfase, pois a exceção e o suficiente para contextualizar por onde estão as pegadas dessa importante obra da dramaturgia, garimpada por Valério Bemfica. Entendemos que o aparato de repercussão do que se produz em teatro, nos dias atuais, mereça ser repensado os seus parâmetros. Forçar a mão, num autêntico “fazer cabeça” está congestionando o pequeno espaço de compreensão de uma juventude que vai ao teatro pela primeira vez. Este procedimento pode ser um caminho enfadonho, e pouco produtivo. Com todo o direito, a juventude que povoa as ruas, nas noites paulistanas, quer alegria e beleza, e não o mofo fedorento de uma militância esclerosada. Por este motivo, talvez, esta peça ainda não tenha “estourado”, como fenômeno de público. Torcemos para uma vida longa e com, a virada do ano e início de uma nova etapa em nossas vidas, o grande público, àquele que sai de casa sabendo o que quer assistir, possa ver ou e rever Santa Joana dos Matadouros, com a alegria que merece.

Nossa contribuição, até como agradecimento ao José Renato e também o ausente Denoy, é focar naquilo que nossos olhos vêem nessas mais de duas horas de cena e não nos preocupar com as transposições automáticas. Se a peça é ou não um libelo contra o capitalismo e o monetarismo internacional, o melhor a fazer é deixar essa discussão para os acadêmicos e especialistas da Globo News. Como pauta sugerimos à produção convidar Mirian Leitão para debater com o pessoal dos grupos, antigamente inimigos de Denoy; e eles que se lasquem. Nossa iniciativa nem é fazer uma metacritica de tudo o que já foi dito a respeito dessa montagem, mas apenas alertar que estamos diante de um fenômeno, espetacular e que extrapola os parâmetros de uma luta política e social. Estamos diante, de uma manifestação autenticamente artística. Um artístico moderno, que nasce de suas próprias contradições, unindo a tradição e a necessidade de mudança. Ao mesmo tempo, desafiamos os especialistas e teóricos “do trabalho continuado” a explicar porque se gasta tanto dinheiro público (municipal e federal), sendo que os resultados não passam sequer longe de momentos como estes retratados nessas linhas. Não é difícil imaginar esta conjugação de fatores apontados acima, associada a uma realidade brasileira imediata, com personagens falando sobre o nosso dia-a-dia para descobrir por que o teatro existe e continua combatendo nas cinzas, a obscuridade, a sua inclusive. Repetindo, ver um diretor com tamanha experiência, que usa no palco um repertório não tão “inovador”, um cenário tão singelo quanto o utilizado nos tempos de Arena, com músicos que tocam de verdade (apesar de alguns deles sofrerem de uma timidez, crônica), um texto escrito por um dramaturgo (verdade que o melhor de todos os tempos, e não o mito da criação coletiva), é uma consagração do teatro e da arte.

Este conjunto de detalhes é a prova de que todos os artistas, do elenco, técnicos e também a retaguarda devem ter consciência de que participam de um momento sublime do teatro brasileiro."

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Santa Joana dos Matadouros






“Santa Joana dos Matadouros”, de Brecht, sob direção de José Renato, tem reestreia em 29 de outubro

José Renato, um dos mais importantes diretores em atividade no país, traz de volta ao palco do Teatro Denoy de Oliveira a peça “Santa Joana dos Matadouros”, que retrata a grande depressão do início do século 20, mas que em tudo lembra a crise econômica desta primeira década do século 21. A reestreia de uma das mais instigantes obras de Bertolt Brecht será no dia 29 de outubro, sexta-feira.
O fundador do Teatro de Arena dirige a peça a convite do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas - CPC-UMES. A encenação teve grande sucesso de público e crítica na primeira temporada, nos meses de junho e julho deste ano.
Com um elenco de 17 atores e atrizes, além de três músicos, a peça trata das tensões entre capitalistas e das agruras vividas pelos trabalhadores de Chicago durante o inverno e no auge da crise econômica de 1929.
A professora de teoria literária, Iná Camargo, pesquisadora da obra de Brecht, à saída de uma das encenações destacou: “Dá gosto de ver!” “É a primeira encenação desde que se instaurou a crise e isso mostra uma capacidade de apreensão da realidade que é impressionante”, prosseguiu a professora Iná, para quem “a peça mantém sua atualidade diante das necessidades de saída justa para a crise que enfrentamos nos dias de hoje”.
O autor coloca em cena os mecanismos que levam à degradação da economia: superprodução, falta de mercado para escoá-la com os principais empresários tentando compensar a queda nos lucros através da especulação e do aumento da exploração, o que, por sua vez, leva à exacerbação das tensões com mais quebradeira, mais fome e produz seu oposto; os movimentos operários contra as duras condições impostas aos trabalhadores.
Ao receber informações de “seus amigos de Nova Iorque”, sobre a iminência de um baque nos preços e vendas, Jack Pierpoint (Alexandre Krug), o rei da carne de Chicago, busca jogar o prejuízo nas costas de seu desavisado sócio Ambrósio (João Ribeiro).
Vem o fechamento de fábricas e o desemprego em massa. Tentando salvar a alma dos demitidos, aparece Joana (Érika Coracini), jovem pregadora dos Chapéus Negros. O encontro da inocência útil de Joana e da consciência ao mesmo tempo pesada e esperta de Pierpoint condensa as contradições sociais em meio a uma ciranda de especulação e desemprego.
Essa obra, pelas elucidações que é capaz de propor com precisão poética e dramática, demonstra plena atualidade diante de uma crise cuja profundidade se observa em seu pleno andamento. A realidade, já não nos deixa mais acreditar que “a desgraça vem como a chuva”, como a bispa Bárbara empenha-se em dizer aos operários, mas ao contrário, como ressalta Brecht, autor da instigante obra teatral: “Só poderemos descrever o mundo atual para o homem atual na medida em que descrevermos um mundo passível de modificação”.
Vale à pena assistir ao que o diretor José Renato considera “um espetáculo vivo, criado, em sua maioria, por atores jovens e motivados, e, por isso mesmo, polêmico e sujeito a alterações criativas”. Aos que já assistiram à peça na primeira temporada vale a pena revê-la e comparar as alterações criativas encenadas pelo renovado elenco e os aportes ao trabalho já levado a cabo na primeira etapa.

domingo, 18 de abril de 2010

Aleatórias



terça-feira, 30 de março de 2010

Imprópria Cia. Teatral - Espetáculo Carteado de Improvisação 2010

Fotos: Silvia Helena Benedini


















Carteado é um espetáculo de improvisação teatral que acontece em um "cassino clandestino", de propriedade de um grande malandro. Os naipes de atores-jogadores travam uma forte batalha teatral para ver quem leva a grande bolada da noite, a tão desejada maleta branca, recheada de muitas e muitas deliciosas riquezas. Mas, na verdade, quem leva a melhor é sempre o público, que se diverte e presencia cenas nunca vistas e que nunca se repetirão!

Futebol na Perna de Pau

Fotos: Eduardo Ielen


sexta-feira, 5 de março de 2010

Performance "Vírus-Homem"





"Não há nada para entender, trata-se de algo para fazer." (Gilles Deleuze)

Vírus-Homem surgiu de uma série de questinamentos propostos por Clarissa Alcantara, doutora em Performance.
O ato performático se fez a partir de uma pergunta mote: Como saber a pergunta certa em meio a tantas respostas incertas?
A partir daí, Bruno Campelo mergulhou no universo tendencioso do ser humano e suas principais dúvidas e indecisões.
Um processo presente, crescente.
A performance mexe, ataca a gente. Dilacera a ausencia daquilo que é, que faz, que acontece.
Presente? Ausente?
Escolha o seu!